Quebra-quebra nas ruas de Vancouver

Junho 16, 2011

Ontem o Vancouver Canucks perdeu o último jogo da final da NHL e perdeu a Stanley Cup. Tinha o melhor time do campeonato, a melhor campanha. Mas Boston jogou melhor.

Mas antes mesmo do jogo acabar, começou um quebra-quebra no centro da cidade. Assim como aconteceu em 94, quando o time também foi às finais e também perdeu.

Dessa vez a polícia estava bem mais preparada. Li a matéria do O Globo sobre o acontecido falando que a polícia foi violenta. Engano do jornalista. A confusão só foi do jeito que foi porque a polícia não respondeu aos ataques dos vândalos.

A polícia na maior parte do tempo foi contendo os vândalos ao invés de encará-los de frente. Ao mesmo tempo que mais carros e lojas foram destruídos, menos pessoas foram machucadas. 

Mas a cidade amanheceu querendo punir os culpados.

Várias páginas na internet foram criadas para que sejam postadas fotos ou vídeos dos vândalos. E a polícia e o governo nem precisaram pedir essa ajuda. Tinha muita gente usando celulares para registrar o que estava acontecendo.

Várias páginas foram criadas chamando a população para se voluntariar e ajudar na limpeza das ruas. E muitos foram hoje de manhã ajudar na limpeza.

Enfim, foi um dia bem feio para a cidade. Mas aparentemente a população quer pegar todos esses maus elementos.  

Hoje já se sabe que muitos dos vândalos são os mesmos que quiseram criar confusão durante as Olimpíadas. 

De todas as fotos que vi sobre ontem, essa aí embaixo é a mais inusitada. Toda a confusão acontecendo e no meio de tudo tem um casal no maior amasso.



Involuntariamente fazendo ligações

Junho 12, 2011

Sabe quando você não trava as teclas do seu celular, coloca o aparelho no bolso e ele acaba ligando para alguém?

Acho que todo mundo já passou por isso. Pelos dois lados da moeda. Já liguei para pessoas que não queria sem querer.

Já fui acordado de madrugada por pessoas que não queriam ligar para mim. Já aconteceu de o celular ligar para mim umas três vezes, eu só ouvia a pessoa conversando ao fundo. Mas ela não tinha a mínima idéia de que estava arruinando o meu sono.

Agora, imagina se o seu celular liga para 911!? 

Pois é, isso aconteceu com a Luiza. Ela nem percebeu. Quer dizer, percebeu quando a polícia ligou de volta para ela.

E aí você pensa que ela tomou algum esporro? Claro que não.

A policial ligou para ela e insistiu até não poder mais para a Luiza dizer se estava sofrendo alguma violência ou se tinha algum problema.

A Luiza disse que tinha ligado sem querer e pediu desculpas. A policial perguntou várias se estava tudo bem. A Luiza disse que estava. Então a policial insistiu de vários modos possíveis dizendo para ela falar bom dia, ou dizer obrigado e várias outras coisas como código de ter algum problema.

A Luiza começou a ficar sem palavras para as respostas. Estava com medo de sem querer dizer uma das palavras códigos. Até que uns cinco minutos depois a policial desligou.

Achei sensacional o serviço.

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Update das finais da NHL

O Vancouver Canucks ganhou os dois primeiros jogos em casa de modo bem apertado por um gol de diferença.

Depois o Bruins ganhou os dois jogos em Boston. Mas ganhou de modo aterrorizador. O primeiro foi 8 a 1 e o sengundo 4 a 0.

Parecia tudo perdido. Mas no quinto jogo em Vancouver, o Canucks ganhou por 1 a 0.

Amanhã, segunda-feira, tem o sexto jogo. Em Boston. E se precisar, depois tem o sétimo jogo em Vancouver. Está tenso. Está difícil. Será que dá?


As finais e a carona premiada

Junho 4, 2011

A cidade fervilha com a final da Stanley Cup. Só se fala em hóquei. E o que mais se vê nas ruas são as camisas do canucks. Todo mundo vestindo o azul, o verde e o branco.

Uniforme oficial

Uniforme 2

Mas ainda assim alguns vestem umas camisas do canucks pretas. Parece outro time. As cores dessa camisa são preta, amarela e vermelha. Estranho? Sim. Esse foi o uniforme oficial do Vancouver na década de 90.

Uniforme de 1990 a 1997

É engraçado como a camisa, as cores e o símbolo do time mudaram desde que o time foi criado nos anos 70. É talvez algo impensável para times de futebol no Brasil. As camisas podem mudar um pouco, mas o símbolo e as cores não.

Uniforme de 1778 a 1984

Uniforme de 1997 a 2007

O primeiro uniforme

Não sei, pode ser que eu esteja errado, mas aqui as coisas parecem comerciais demais. O canucks pode inclusive mudar de cidade se assim os donos quiserem. É meio estranho pensar assim. Já pensou o Flamengo indo para Florianópolis? Ou o Palmeiras indo para Recife?

Teve só um outro assunto essa semana por aqui que rivalizou com o hóquei. Bono Vox, cantor do U2, estava passeando em West Vancouver. De repente começou a chover.

O que ele fez? Estendeu o braço e pediu carona.

Como nada pode fugir muito do hóquei, quem estava passando de carro na hora foi um jogador do Edmonton Oilers. Ele parou, deu carona e ganhou passes vips para o show que o U2 fez em Edmonton.

E de quebra o Bono fez um discurso no meio do show agradecendo ao cara. Tem vários vídeos no you tube com o discurso.

Ps.: Hoje é o segundo jogo das finais. Ganhamos o primeiro por 1 a 0 com o gol no último minuto.


O poder do hóquei

Maio 27, 2011

Hoje, há poucas horas, acabou o último jogo entre Boston e Tampa Bay. O Boston Bruins será o adversário do Vancouver Canucks na final da NHL.

Aqui em Vancouver o Boston Pizza já está fazendo uma jogada de marketing sensacional: agora é Vancouver Pizza.

A propósito, o primeiro jogo da final será na quarta-feira.


We want the Cup!

Maio 25, 2011

Vancouver é uma cidade calma. A não ser que tenha um jogo de hóquei importante. Foi assim durante as Olimpíadas de Inverno. Está sendo assim durante os playoffs da NHL.

Achava o hóquei legal antes de vir para cá. Já tinha ido a um jogo em 1998 quando fui aos Estados Unidos. Mas não esperava sofrer e torcer tanto.

Ontem o time da cidade, o Vancouver Canucks, venceu o San Jose Sharks, ganhou o título da Conferência Oeste e está na final da NHL. Venceu a melhor de sete jogos no quinto, fazendo 4 a 1. 

Fui num bar da Granville Street assistir ao jogo ao lado de canadenses. O primeiro bar que tentamos entrar, uma hora antes do jogo começar, já estava lotado. Como vários outros. Conseguimos entrar em um e achar um bom lugar para ver os telões.

A cada lance todos no bar vibraram muito. A cada gol então… Parecia que estava no Brasil em jogo de Copa do Mundo.

E o jogo realmente foi emocionante. No primeiro tempo um gol do Canucks. No segundo, gol do Sharks. No terceiro, eles viraram. Faltando 13.2 segundos para acabar, gol do Canucks. Explosão! Sensacional!

Prorrogação. No primeiro tempo, nenhum gol. Mas o goleiro do Canucks sempre salvando tudo. No segundo tempo, numa jogada meio estranha, gol do Canucks. Nem vi o gol na hora. Ninguém viu.  Nem  o goleiro deles, o câmera ou o narrador. O importante era o puck na rede. 

E foi todo mundo para a Granville Street. Todo mundo gritando  WE WANT THE CUP. Todo mundo dando high five como foi nas Olimpíadas.

Agora é esperar o adversário, Boston ou Tampa Bay.

Aí no vídeo estão os gols. O Vancouver é o time de azul.

E aqui a Granville Street fechada pela multidão.


Abacate com feijão

Maio 21, 2011

Cada vez que minha mãe perguntava ao meu irmão o que ele gostaria de comer, ele respondia que queria abacate com feijão. Se ela insistisse, ele mudava o feijão. Mas o abacate continuava lá.

Acho que ele iria gostar de Vancouver. É uma mania de colocar abacate em tudo!

E eu odeio abacate!

Outra coisa que odeio é espinafre. Coincidentemente é outra mania deles por aqui.

Você vai em qualquer restaurante e a metade dos pratos ou tem um ou tem outro. Na verdade é até capaz de ter algum com os dois juntos.  

Minha mulher às vezes reclama que digo que não gosto das coisas antes de experimentar. Na maior parte das vezes porque ela não me viu experimentar.

Tive o desprazer de comer abacate outro dia. Estava no trabalho e sempre tem um catering com o café da manhã. Entre as coisas que você pode comer estão burritos, omeletes, ovos, linguiça, bacon e o que eles chamam de breakfast sandwuich.

Normalmente esse sanduíche vem num pão de forma com ovo, queijo, tomate, alface, bacon e maionese. E não que é aquele catering usava abacate ao invés de maionese!?

Dei a primeira mordida e achei estranho o gosto. Dei a segunda e pedi para parar! Abri o sanduíche e tinha aquela substância líquida verde à la Shrek.

Terrível! 

Enfim, joguei fora o sanduíche e aprendi a pedir sem o abacate. Mas agora, cada vez que começo em uma produção diferente, com um catering diferente, sempre dou uma olhada no sanduíche antes de morder. Afinal, uma vez foi o abacate. Da próxima vez pode ser o espinafre…


Adaptação

Maio 14, 2011

Adaptação. Na verdade esse é o título de um filme que gosto muito. E no filme o roteirista tem adaptar um livro sobre plantas para um filme hollywoodiano. Um livro sobre plantas não tem nada de emocionante e nada de hollywood. Mas o irmão gêmeo do roteirista torna a história bem americana e o final do filme está cheio de perseguições e mortes.

Acho que imigrar e se adaptar pode ter um pouco a ver com isso. O que quero dizer é que você vai sair de um país com culturas e características todas próprias e cair num outro lugar bem diferente.

E aí o que acontece com muitas pessoas, não só brasileiros, é que como um mecanismo de defesa eles encontram seus pares da mesma nacionalidade e se fecham numa mini colônia, Brasiltown. Fica mais fácil viver longe falando a mesma língua materna e com pessoas que trazem o mesmo background cultural e de vida.

Só que não acho que isso seja se adaptar. É uma tentativa de manter o mesmo tipo de vida que tinha antes de imigrar, com a diferença de estar num país mais organizado e mais seguro (em termos de violência).

Agora, tentar viver como um canadense vive, traz muitas dificuldades. A primeira e a mais óbvia seria a barreira da língua. O que pelo menos em Vancouver se facilita um pouco por ter muitos estrangeiros, principalmente asiáticos e para eles é muito mais difícil aprender o inglês.

Depois vem todos os choques culturais. Os canadenses são muito mais individualistas. São desapegados da família. Têm menos emoção que os brasileiros e latinos têm. Ás vezes dá vontade de sacudí-los para ver se algo muda.

Aqui eles são criados para saírem de casa assim que saem do segundo grau e invariavelmente também se mudam de cidade. Quase não vêm a família e estão muito bem com isso.

Tem um outro ponto que é a ética de trabalho bem diferente. Eles são mais fechados e não se ajudam. Já ouvi de amigos canadenses dizendo que é normal para eles isso. É um modo de preservar o trabalho e a função, com medo de que o outro assuma seu lugar. O que dificulta o chopinho depois do expediente.

E a temperatura. Aqui existem as quatro estações. E o inverno demora muito a passar. Seu ponto de referência muda. Ontem fez  17 graus e foi o dia mais quente do ano. E realmente estou achando quente e confortável.

Tem várias coisas boas também. No meu primeiro ano aqui só via as coisas boas. Total lua de mel. Nesse segundo ano as imperfeições começaram a aparecer. 

Nenhum país ou cidade é perfeito. Cada um tem vários defeitos e várias qualidades. O ponto é saber quais são os defeitos com os quais você consegue conviver  melhor e se as qualidades equilibram isso.

Adaptar é transformar uma coisa em outra. Mas você nunca perde os resquícios da matéria prima. A questão é saber se vai virar um filme B para a televisão que passa de madrugada ou um filme da Disney.