Mudança

Julho 10, 2011

Estamos de mudança. Não só de apartamento. Também de cidade. De província. De país.

Não, não estamos voltando para o Brasil. Não, isso não significa que não nos adaptamos a Vancouver. Não, não significa que não gostamos da cidade.

Simplesmente nos apareceu uma oportunidade muito boa. E se você não aproveita essas oportunidades, a vida passa muito devagar e chata.

Estamos indo para Londres, para trabalhar nas Olimpíadas. Tudo aconteceu muito rápido. Estou sentado em minha sala, ainda em Vancouver, sem móveis.

Sobrou uma mesa de centro para usá-la para comer e mexer no computador. Sobrou minha cadeira do computador, que não vou conseguir vendê-la porque as condições não são muito boas. Sobrou no quarto o colchão. 

Também sobraram as malas e algumas tralhas espalhadas. O resto foi vendido. Ou jogado fora.

Embarco em poucos dias. Luiza já foi.

Estou dizendo tchau para tudo. Ontem foi um ótimo último sábado. O dia estava lindo. E de noite teve show do The New Pornographers de graça no Stanley Park.

Vancouver é uma cidade linda e acolhedora. Adoramos esses dois anos e meio aqui.

Se vamos voltar para Vancouver? Não sei. Se voltamos para o Canadá? Não sei. 

Para onde vamos depois das Olimpíadas? Não sei.

Pode ser um pouco assustador não saber? Pode. Mas planejar tudo demais já vimos que não dá certo. Não era nossa intenção sair agora de Vancouver.

Então o negócio é deixar fluir e aproveitar a onda.

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Trabalhando na Art Gallery

Abril 3, 2011

Depois de filmar nas redondezas de Zombieland, foi a vez da Art Gallery. Passamos três dias por lá.

Teve uma hora que um dos seguranças chegou perto de mim e comentou que algum membro da equipe tinha sido confundido com um mendigo. É, aconteceu de novo. O câmera novamente foi confundido com um mendigo!

Outro acontecimento durante as gravações foi uma pequena confusão nas escadarias.

Toda última sexta feira do mês tem uma reunião/passeio de ciclistas pelas ruas da cidade. Onde se reunem? Nas escadarias da Art Gallery. Onde estávamos gravando? Nas escadarias.

Esse passeio/movimento se chama critical mass. Além de ser o passeio, é também um protesto contra o uso de carros, algo ecologicamente correto.

Então eles começaram a se reunir num dos cantos da praça, onde não estávamos filmando. Até que um dos líderes resolveu invadir nossa área.

Começou a questionar o uso da área. E aí quando dissemos que o uso foi autorizado pela prefeitura foi ainda pior, o cara é um daqueles que não reconhece o poder público. Depois de uns dez minutos de discussão, conseguimos tirá-lo de lá.

As filmagens continuaram até que juntaram-se uns 30 a 40 ciclistas. Quando eles estavam prontos para iniciar o passeio, o líder resolveu que tinha que invadir as escadarias para protestar contra o poder público. 

Tudo parou. Virou uma confusão. 

Mas o inesperado aconteceu. Os ciclistas todos abandonaram o líder sozinho nas escadas. E aí ele teve que sair de fininho também.

Conseguimos explicar para os ciclistas que estávamos ali trabalhando, criando empregos, trazendo dinheiro para cidade. A maioria simplesmente concordou que não queria atrapalhar a vida de ninguém e todos se retiraram. 


Trabalhando perto de Zombieland

Março 27, 2011

Essa semana trabalhei em gravações em diferentes locais de Gastown até a Main St, perto da Hastings. Ou seja, perto da área dos zumbis.

Explico, a esquina na Main St e Hastings St é onde os drogados se concentram. Não são necessariamente só drogados. Muitos deles são pessoas com doenças mentais. Eles ficam vagando por aquela área.

Então um dos desafios é manter os mendigos/drogados/maluquinhos longe do set. E eles são muitos.

Acontece que ninguém numa equipe de cinema/TV se veste realmente bem. Ainda mais para poder passar 15 horas trabalhando a céu aberto, no frio e com possibilidades de chuva.

O operador de câmera desse projeto tem cabelos compridos, não muito lisos e, depois de várias horas trabalhando, meio desarrumados. E ainda com barba por fazer. Se você não sabe que o cara é da equipe, você facilmente o confundiria com um dos mendigos/drogados/maluquinhos da área.

Estava por perto na hora que ele entrou no trailer dos banheiros. O segurança estava por perto e me perguntou se era da equipe. Disse que não sabia. Foi só o cara sair do banheiro que o segurança foi para cima do cara. Foi agressivo e tudo. 

Daqui a pouco volta um dos chefes para avisar ao segurança quem o cara era. A sorte é que o câmera leva tudo na brincadeira. Estava fazendo piada do acontecido com o resto da equipe.

No outro dia estávamos filmando uma cena dentro de uma loja. Os atores e a maior parte da equipe estavam dentro da loja e a câmera filmava do lado de fora, através da vitrine. Um dos maluquinhos viu a movimentação da filmagem e resolveu ficar por perto.

Uma das minhas tarefas naquele dia era controlar as pessoas em volta. Aí o maluquinho não saía de lá. Ficava puxando papo, falando que queria ser ator e não sei mais o quê. Depois de me encher por meia hora, resolveu puxar papo com o mesmo câmera que foi confundido pelo segurança.

Lá pelas tantas o câmera resolveu dizer que também tinha problemas mentais e que foi por isso que conseguiu trabalho no cinema. Aí o maluquinho ficou ainda mais encorajado. Mas pelo menos resolveu ir embora e disse que ia procurar uma agência de atores.

Enfim, semana movimentada nas filmagens, com direito a explosão de um restaurante. Explosão planejada, que fique claro.


O circo do sol

Março 13, 2011

Sexta-feira recebi um pedido de última hora do meu chefe. Ele me pediu para substituir alguém que tinha ficado doente no sábado e no domingo. Não podia dizer não.

E lá fui eu para mais um fim de semana de trabalho. Não era de filmagem, mas de preparação da locação para a filmagem de segunda a quarta.

Lá pelas onze da noite a Luiza me lembra que a gente tinha ingressos para o Cirque du Soleil. Nem lembrava que tinha comprado. Esse negócio de comprar com muita antecedência dá nisso… comprei os ingressos no início de dezembro. Preferia no Brasil que você compra com menos antecedência.

E aí lá vou eu conversar com meu chefe… no final das contas deu tudo certo. Ele me liberou um pouco mais cedo. Mas sempre fico com medo do que um chefe vai pensar, se vai achar ruim e nunca mais me chamar para trabalhar.

A nossa primeira experiência com o Cirque du Soleil não foi muito boa não. Vimos ano passado o Kooza e não gostamos muito. Tinha partes legais, mas partes muito chatas. Achamos que não valia o preço do ingresso. Não conseguimos entender todas as maravilhas que as pessoas falavam.

Hoje vimos o Quidam. Dessa vez gostamos. Muito melhor do que o outro. Vai ver que demos azar da primeira vez. Ainda não sei se é toda essa Brastemp que falam, mas foi bem legal. (Brastemp… tô ficando velho…)

Talvez os espetáculos em Las Vegas é que sejam os melhores porque os teatros são construídos especialmente para o Circo. De repente a gente consegue ir lá um dia. Veremos.

Ps.: Começou o horário de verão. Agora são só quatro horas de diferença para o Brasil. Agora só falta o verão chegar.


Há dois anos estávamos no Galeão

Fevereiro 27, 2011

Há dois anos estávamos no aeroporto do Rio prestes a embarcar no avião. Longa viagem incluindo conexões em São Paulo e Toronto para então chegar em Vancouver. Amanhã fará dois anos que pisamos em Vancouver pela primeira vez.

Chegamos aqui e sentimos frio. Era final do inverno. Aos poucos fomos nos acostumando e chegou o verão. Bem quente em 2009. Seguido de um inverno fraquinho, que causou problemas para as Olimpíadas por não ter neve na Cypress Montain. Depois um verão a meia bomba. E esse inverno, um dos mais frios de todos os tempos, que não acaba.

Desde ontem de manhã cedo não parou de nevar e as ruas estão todas brancas. Nesse momento não neva. Mas a previsão é de mais alguma neve misturada com chuvas por toda a semana. Para então a temperatura ficar por volta dos 5 graus. 

Nunca pensei que fosse dizer isso, mas temperatura por volta dos 5 graus é tudo que quero! Quando chegar a 10 graus então… Nunca torci tanto para o inverno acabar. Na quinta-feira passei mal no trabalho por causa do frio e acabei tirando a sexta de folga.

Por mais que eu saiba que Vancouver é o lugar menos frio do Canadá, esse inverno está difícil de aguentar…

Voltando aos dois anos e esquecendo um pouco a temperatura, passamos por momentos bons e ruins. Passamos por momentos onde o dinheiro só saía. Depois começou a entrar. Parecia que estaria tudo bem. E logo depois das Olimpíadas tudo voltou a estaca zero.

O dinheiro voltou a sair e não tinha emprego. A cidade ainda está vivendo um pouco essa crise de desemprego. Mas as coisas voltaram a funcionar para nós. E nesse momento está tudo bem. Mas sabemos que tudo pode mudar a qualquer momento.

Esse é algum dos riscos ao qual corremos ao decidir vir para longe de tudo o que a gente conhecia. Uma aventura que tem se mostrado positiva no saldo geral. A cada dia aprendemos coisas novas.

A gente sabe que Vancouver e o Canadá têm vários problemas. E depois de dois anos, cada vez vemos mais os problemas. Ao contrário da lua de mel inicial em que tudo parecia quase um sonho.

O saldo geral desses dois anos tem sido bom. Estamos gostando muito da experiência de morar em um outro país, com outra cultura, outros hábitos. Sentimos muitas saudades de várias coisas do Brasil. De outras nem tanto. Mas acho que se um dia voltássemos a morar por lá, tenho certeza que também sentiríamos saudades de algumas coisas daqui, mas de outras nem tanto.

Acho que o quero dizer é que não existe um lugar perfeito. Talvez exista o mais perfeito para cada um. Ou o lugar perfeito para aquele momento. Não acho nem que Vancouver seja o lugar perfeito nesse momento. Como gostaria de estar numa praia pegando um solzinho e tomando água de coco… biscoito Globo…


A primeira parte de fevereiro já foi…

Fevereiro 12, 2011

Uou! Ainda não escrevi nada em fevereiro… que relapso!

Fevereiro começou bem movimentado e sem muito tempo livre. Estou trabalhando em praticamente tempo integral em um filme (Dibbuk Box). E fim de semana passado resolvemos aproveitar o carro novo e ir para Seattle passear e reencontrar amigos.

Sem tempo durante a semana, acabo nem conseguindo ver direito a Luiza. Mas não posso reclamar. Ter trabalho é sempre bom. Muito bom. 

Aí resolvemos ir para Seattle. Dessa vez não nos limitamos a conhecer a parte turística do centro da cidade. Na verdade nem fomos lá. Nossa amiga americana nos mostrou outros lugares interessantes da cidade.

Conhecemos uma escultura enorme de um troll que fica em baixo de uma ponte. Um foguete que segundo quem o colocou por lá marcaria o centro do universo. Uma estátua do Lênin importada da União Soviética quando o país acabou. E um restaurante que muda o tema da decoração e do menu a cada 4 meses. O tema atual é o estado do Novo México. E como lá é que teoricamente fica a Área 51, tem espaçonaves por todos os lados.

Na volta, claro que demos uma paradinha nos outlets…

Hoje, dia 12, faz 1 ano da abertura das Olimpíadas de Inverno. Então a cidade vai ter vários eventos durante o dia para lembrar isso. Estamos pensando em ir em algum, mas ainda não vimos a programação. A única coisa que sei é que acenderão a pira Olímpica de novo.

E o dia dos namorados está chegando. É dia 14. Estranho celebrarem em datas diferentes das do Brasil. Mas enfim, tudo agora está voltado para o Valentine’s Day. As lojas todas voltadas para a data.


Às vezes não faz diferença se está sol, chuva ou nublado

Dezembro 13, 2010

Os dias mais curtos acabam fazendo a gente jantar mais cedo e ficar com sono antes da hora. Por volta das 4 da tarde já está escurecendo. Aí começa a dar uma moleza…

A partir do dia 21 de dezembro os dias param de diminuir e passam a crescer. 

Mas tem um lugar em que você às vezes perde a noção de se é dia ou noite, se chove ou faz sol. O set de cinema.

Semanas atrás estava numa gravação dentro de um ginásio da Simon Fraser University. Tinham vários canhões de luz do lado de fora. Dentro não dava para ter a mínima noção de se fora estava claro ou escuro. Num dos dias entrei no ginásio antes das 7 da manhã, ainda escuro, e só saí tarde da noite. Para mim o dia foi gigantesco por estar lá dentro.

Outro dia a gravação foi dentro de uma loja de móveis, The Brick. Os canhões de luz do lado de fora simulavam o sol. Enquanto estava lá dentro parecia um dia ensolarado. Quando saía, podia ver o dia chuvoso e nublado.

É estranho como a gente pode se enganar. O princípio do cinema e TV na verdade é a enganação. Eles te enganam fazendo acreditar que aqueles atores são amigos, namorados, familiares. Te enganam também quanto às situações e aos lugares.

O filme do Esquadrão Classe A foi todo gravado em Vancouver. O centro da cidade virou Frankfurt. O centro de convenções virou uma estação de trem. A região perto de Kelowna virou o México. Cloverdale virou uma base militar americana no Iraque. E outras regiões ao sul de Vancouver viraram as ruas de Bagdá.  

Na série que tenho trabalhado, Hellcats, a história se passa em Menphis e é gravada toda aqui. Mas também, não são muitos os que já foram em Memphis e que conseguem dizer que o que está na tela é na verdade Vancouver. Até porque todas as possíveis referências ao Canadá são meticulosamente banidas da tela.