Médico de família

Maio 29, 2009

Conseguimos nosso médico de família.

Aqui no Canadá o sistema de saúde funciona um pouco diferente do Brasil. Tem os hospitais para as emergências, as walk in clínicas para consultas nas quais você não vai ter um histórico e tem o médico de família.

O médico de família vai ter sempre o seu histórico de saúde. Ele que vai te dar o primeiro atendimento. É quase como um clínico geral. E se não conseguir resolver seu problema, te manda para um especialista. Esse é o caminho. Muitas coisas são resolvidas logo pelo seu médico. 

As pessoas falam de ter dificuldades em achar seu médico. Mas tivemos sucesso em nossa primeira tentativa. Uma amiga nossa, Verônica, nos indicou a médica. Ligamos e ela estava aceitando pacientes. Marcamos uma consulta para a mesma semana.


Cartão de crédito

Maio 28, 2009

Quando chegamos aqui, logo abrimos uma conta no banco CIBC. Mas o gerente avisou que não poderia nos dar um cartão de crédito naquele momento. Deveríamos esperar mais um pouco, conseguir um emprego e aí sim pediríamos o cartão. Se não, seria negado.

Não tínhamos muito o que fazer. E não poderíamos começar a construir nosso crédito por essas bandas.

Na semana passada, reviravolta. Fui pagar a conta de luz numa outra agência que não a minha. A fila estava grande. Então um dos gerentes me pegou na fila para resolver o meu problema. Paguei a luz, ele olhou a minha conta e perguntou se não queria aplicar para cartão de crédito porque agora já poderia.

Três dias depois me ligou avisando que o pedido fora aceito. Menos de uma semana depois e o cartão chegou. É o cartão mais básico que tem. E agora posso começar a construir meu crédito canadense.


Lembranças de outra vida

Maio 27, 2009

Desde que escrevi o post da bebida alcoólica e da maconha, não sei porque fiquei com essa música que ouvi no carnaval na cabeça:

 

Quebéc Quebéc Quebéc

Quebéc é no Canadá

Eu vim de lá agora     2 x

Só pra te perguntar

 

Quebéc

Quebéc é no Canadá

Cana Dá Ô    2 x

Cana Dá

 

Maria saiu do Rio foi para o frio foi viajar

Joana disse aqui tá muito cheio!

Então aperta, aperta que vai dar!


Propagandas de remédio

Maio 26, 2009

A gente sai do Brasil acostumado a ver aquela tarja azul no final das propragandas de remédio falando algo como “se os sintomas persistirem, procure um médico”.

Aqui a história é outra completamente diferente. Não tem nada de tela azul (que parece um PC dando pau…).

Nos comerciais eles são obrigados a citar todos os possíveis efeitos colaterais. Eles quase lêem a bula inteira. É muito engraçado porque eles inserem isso no comercial, não fica só uma voz falando.

Tem um comercial de pílula anticoncepcional que vai falando dos benefícios todos do produto. De repente, as mesmas mulheres lindas começam a falar que pode acontecer de ter dor de cabeça, problemas hormonais e várias outras coisas bizarras. Mas são mulheres lindas falando calmamente como se fosse a coisa mais normal do mundo.


Polícia para quem precisa

Maio 25, 2009

A lei aqui diz que é proibido consumir bebidas alcoólicas em lugares públicos. Só pode beber em pubs, restaurantes ou em casa. Aqui a maconha também é proibida, apesar de ter um ou outro lugar onde se pode fumar.

Então, você está na praia e tem dois grupos por perto, um fumando maconha e o outro com cerveja. A polícia passa por perto. Adivinha quem eles vão prender ou multar?

Quem está fumando pode ficar tranquilo. 

É engraçado como pode ser rígida a repressão contra bebidas alcoólicas. A polícia realmente passa olhando para ver o que as pessoas estão bebendo. E em lugares onde tem muitos jovens, eles abordam para conferir o que é a bebida

Ou seja, se eu quiser fazer um piquenique no Stanley Park, não posso levar uma garrafa de vinho. Mas maconha pode!


Figurando

Maio 24, 2009

Mais um trabalho de figurante. Mais uma vez José. Dessa vez, numa série chamada Defying Gravity que ainda vai estrear.

A cena era numa rua de East Vancouver que na série será o Bronx em Nova Iorque. Então a maioria dos figurantes era latino. Na primeira cena uma menina de 10 anos voltava do colégio e entrava em casa. Nesse momento eu estava na rua em frente a casa conversando com outro figurante.

Na sequência, a garota sai correndo de casa, o cachorro vem atrás e é atropelado. O pai vem e ajuda a cuidar do cachorro. Para esse momento, eu ia andando pela calçada quando ouço o freio do caminhão e o grito da garota. Então me viro e vou até lá ver o que está acontecendo.

Mais onze horas de trabalho fácil.

Mas tem algumas coisas que pensava e que não são tão realidade. Achava que a produção de cinema e TV era uma coisa mais organizada. 

Os problemas dessa vez começaram no início do dia. Um morador de uma das casas acordou, as gravações começaram umas 8:30-9hs, e resolveu ficar na varanda tomando seu café. Só que ele estava aparecendo em cena e demorou umas duas gravações para a equipe perceber isso.

E aí ele resolveu criar encrenca dizendo que estava na casa dele e tinha todo o direito de ficar ali. Uns quinze minutos de muita conversa depois e ele foi para dentro de casa.

Em outro momento, estava andando pela calçada fazendo a figuração e de repente passa por mim uma chinesa que não era figurante. Demoraram para perceber que ela não era figurante. Na verdade deveria ter alguém controlando a passagem de pessoas pelo cenário…

A última coisa foi uma mulher aparecer reclamando que tinham colocado um gerador no quintal dela sem permissão. Como assim? Realmente eles fizeram isso… aí até tirar o gerador de lá, atrasou um pouco a gravação. Bom para mim, que continuei sendo pago enquanto o tempo passava.


Quem sou eu?

Maio 22, 2009

Não, isso não é uma pergunta referente a morar perto da rua gay friendly da cidade. 

Na verdade é em relação ao meu nome. No Brasil ninguém me chama pelo primeiro nome, José. Todos me chamam pelo segundo nome, Oswaldo. Ou por algum apelido.

Só que as pessoas fora do Brasil, pelo menos nos lugares em que já estive, têm uma certa dificuldade em entender Oswaldo. Para complicar tudo, só tenho nome da família do meu pai, Junqueira. Então tanto aqui no Canadá quanto nos EUA, eles acham que José é meu primeiro nome, Oswaldo o nome do meio ou da família da minha mãe, e Junqueira meu sobrenome.

Quando fui a primeira vez nos EUA, San Diego em 1998, nem tentei lutar contra isso. Simplesmente era mais simples ser chamado por José. Na verdade a versão em espanhol, Rosé. A partir daí comecei a perder minha identidade. Nas outras vezes aconteceu a mesma coisa. 

Agora, quando cheguei em Vancouver, começou a acontecer a mesma coisa. Mas, não posso ser chamado José se sou conhecido no Brasil como Oswaldo. Meu nome nos créditos de trabalhos que participei no Brasil é Oswaldo Junqueira. E aí?

Fiquei muito em dúvida do que fazer e como agir. Conversei com a coach que estava me ajudando na confecção do meu currículo, de cover letters e que me deu dicas de que como me comportar por aqui em termos de trabalho e ela me aconselhou a usar Oswaldo. Porque já é uma marca. Chique isso. Tenho uma marca!

Tudo bem. Quando cheguei me apresentava como José. Agora já me apresento como Oswaldo. Sempre preciso repetir umas duas ou três vezes até a pessoa entender ou conseguir repetir.

Mas e nos trabalhos que já tinha pego? Na agência de figurantes sou José. Não tem mais jeito. E trabalhei durante uma semana em uma sorveteria. Lá também me chamam de José.

E agora? Dupla personalidade? Quem sou eu?

Não me apresentarei mais como José. Mas em trabalhos que não são na minha área, talvez não tenha problema ser chamado assim…