Há mais coisas nos porões do que se imagina

Agosto 29, 2009

Ontem estava passando na televisão um documentário sobre a indústria da maconha em British Columbia. Aqui, tal qual no Brasil, a maconha é ilegal. Não sei detalhes da lei, mas teoricamente você não pode fumar em lugares públicos, por exemplo.

Teoricamente, porque é uma lei que, como se diz no Brasil, não pegou. É muito comum ver pessoas pelas ruas consumindo sem o menor problema porque também não tem nenhuma repressão. Tem algumas lojas que vendem produtos derivados ou a própria planta.

Pois bem, nesse documentário deu para confirmar algumas coisas que as pessoas já dizem no boca a boca. Primeiro, a indústria movimenta uns 7 bilhões ao ano. Segundo, muita gente planta em seus porões. Algumas vezes só para consumo próprio. Outras várias vezes, para vender.

De vez em quando eles estouram uma plantação em porões nos subúrbios. Outras vezes umas superplantações em casarões ou no subsolo. No documentário, o cara mostra uma apreensão que a polícia fez há uns três anos. Era subterrânea. Mas os caras enterraram uns 10 contêiners enormes e cultivavam lá dentro.

Há umas duas semanas a polícia descobriu uma plantação no meio da floresta.

É até engraçado essas descobertas que a polícia faz. Porque eles não estão nem aí para o consumo. E parece que só estouram essas plantações de vez em quando só para as coisas não saírem muito do controle.


Os ventos do norte não movem moinhos

Agosto 24, 2009

Estava assistindo ao Big Brother dos EUA na semana passada e o programa me fez pensar em algumas questões sobre os americanos do norte. O programa deles não tem votação do público para sair da casa, são os próprios participantes que decidem quem sai. O apresentador daqui é uma apresentadora que não provoca os caras dentro da casa e não cria nenhum pouco de emoção. Quando o eliminado sai, não tem a família dele esperando do lado de fora. O eliminado simplesmente sai e é entrevistado pela apresentadora. Sem nenhuma emoção.

Seriam os norte-americanos sem emoção? Digamos quase gélidos precisando de um pouco de um sangue latino?

Quando viemos para cá nos falaram que iríamos sentir muita diferença entre o calor humano brasileiro e a falta de calor humano aqui. No convívio do dia-a-dia não sentimos assim. As pessoas estão na maior parte das vezes de bom humor, a fim de uma boa conversa, te tratam muito bem e com um certo calor humano. Nesse ponto não sentimos muito. Acho que inclusive fomos muito bem recebidos e acolhidos.

Uma coisa que sentimos bem diferente é a relação das pessoas com a família. Essa sim parece, de maneira geral, bem fria. Nas conversas que tivemos com as pessoas, muitos se contentam em ver os familiares uma vez por ano e olhe lá, já está bom demais e já cansa. 

Aqui tem um pouco dessa cultura de se mudar de casa para ir estudar numa universidade. Se possível uma universidade bem longe de casa. Se possível em outro estado. Se possível do outro lado do país. 

A gente optou de vir para o Canadá longe dos nossos pais. Só que acabamos nos falando quase que diariamente no Skype. Santo Skype que reduz as distâncias e não tem tarifas de ligação internacional!. E se pudéssemos viajar para lá frequentemente e eles para cá frequentemente, faríamos isso. Na verdade, esse é talvez um dos pontos mais difíceis de vir para tão longe.

Os pais da Luiza em breve estarão nos visitando. Quando alguns ouviram isso, as expressões eram de espanto. “Mas vocês só estão aqui há seis meses!”, “Porque eles vêem? Vocês querem?”. E outras questões parecidas.

Claro que todas essas observações que estou fazendo são o meu ponto de vista sobre o que eu vejo sobre os norte-americanos (canadenses e estadunidenses). Pode ser que esteja errado e mais para frente mude de idéia. Mas por enquanto, é isso o que sinto.


Inflação? Onde?

Agosto 20, 2009

Nunca imaginei que fosse morar ou estar em algum lugar que anunciasse que não há inflação. Ou melhor, há uma deflação. Divulgaram que a inflação no Canadá em junho foi de -0,3% e em julho de -0,9%.

Na verdade anunciaram que a queda foi mais pelo preço da gasolina que caiu uns 24%. O resto das coisas teve uma alta, mas pequena. Daí esses números.

Outra coisa que muitos têm falado nos jornais escritos e na TV é que o país estaria saindo da recessão. Mais empregos estão sendo oferecidos e quem perde o emprego tem demorado menos a encontrar outro.

Continuando nas notícias que parecem surreais, o metrô que foi inaugurado do aeroporto até o centro de Vancouver ficou pronto acho que 4 meses antes do programado. E ficou dentro do orçamento. Mesmo eles tendo tomado algumas decisões estranhas do tipo ao invés de fazer as escavações subterrâneas, abriram um imenso  buraco no meio das ruas para depois tapar. O que causou revolta de vários comerciantes.


Você deixou o fogão ligado!

Agosto 19, 2009

Mais uma da série das coisas que temos que nos adaptar por aqui: o fogão.

Sou meio distraído às vezes. E aqui o fogão do meu apartamento é elétrico. Não tem nada de fogo. O que é bom por um lado e ruim por outro.

Não há risco de vazamento de gás. Como não tem fogo, não corre-se o riso da boca se apagar sozinha. Ou de abrir uma e tentar acender outra.

Algumas vezes liguei uma e coloquei a panela na outra. Um tempo depois percebi porque não estava esquentando a panela.

Só que o maior problema para mim é esquecer a boca ligada. Você não vê que a boca está ligada porque não tem fogo. Você vê que a boca está ligada se o metal estiver incandescente ou se olhar para o botão… como se isso fizesse alguma diferença para mim…

Vira e mexe deixo uma boca ligada. Termino de cozinhar, como a comida e depois quando levo o prato para a pia é que percebo que deixei o fogão ligado. E isso acontece tanto com as bocas quanto com o fogão.

A Luiza vive gritando da cozinha: “Você deixou o fogão ligado!”


Geléia geral

Agosto 17, 2009

A gente só percebe como realmente o brasileiro é um povo de uma mistura de povos quando vem para um país como o Canadá. No Brasil, você pode ser descendente de portugueses, árabes, italianos, japoneses ou de qualquer outro país, mas você é brasileiro.

Aqui, as coisas são diferentes. As pessoas fazem bem a distinção de onde você é. Se você é descendente de chinês, nunca vai deixar de ser chinês. 

Quando estava no curso de inglês, a professora me deu um exemplo disso. Ela nasceu nos EUA e veio morar aqui. Os pais dela são chineses que foram para os EUA quando crianças. Sempre que perguntavam de onde ela era, ela dizia ser americana. Mas nunca ninguém ficava satisfeito. Mesmo ela tendo nome ocidental. Se ela não dissesse que a família dela veio da China a trocentos anos atrás, a pessoa não ficava satisfeita.

Durante essa semana quando fui trabalhar, uma menina perguntou de onde eu era. Falei Brasil. Não ficou satisfeita. Por causa dos traços árabes que tenho. Tentei explicar que não sei de onde vêm esses traços. Que o máximo que sei é que minha família veio de Portugal na época de Brasil Colônia e que antes disso não sei. Deve ter algum árabe nessa mistura antes disso.

A menina continuou insistindo. Perguntou qual a língua que falava. Português. Sim, mas não tem outra? Uma língua árabe? Não, não tem. É difícil às vezes eles entenderem.

Já fui parado algumas vezes na rua com pessoas falando em farsi comigo. Ou perguntando se sou iraniano. Tem uma grande colônia iraniana aqui.

Com a Luiza aconteceu também algo parecido. Perguntaram de onde ela era. Do Brasil. Não ficaram satisfeitos. Como assim? Lourinha e branquinha daquele jeito não poderia ser do Brasil. Aí ela teve que falar que a família dela veio de Portugal e da Itália, mas algumas gerações atrás. A pessoa não aceitou que ela fosse brasileira.

A gente é tão acostumado com a mistura no Brasil e quando chega aqui, vê uma separação. É estranho. Chegando aqui você começa a pensar que aquele amigo no Brasil tem traços de tal país. Aqui fica tudo bem definido. Acho que para chegar ao ponto que o Brasil chegou, ainda vão demorar um bom tempo. Se conseguirem. 

Pelo menos em alguma coisa estamos bem a frente deles.


Gravação de comercial

Agosto 16, 2009

Durante essa semana consegui um trabalho em um comercial para a televisão. Um comercial que provavelmente nunca verei pronto porque era para a Inglaterra. A não ser que postem no You Tube.

O produto era um café chamado Kenco. A área em torno da UBC (University of British Columbia) virou Londres. Os carros em cena inclusive andaram no outro lado da rua.

Na terça pela tarde vi um posting no craigslist e mandei meu currículo. No final da tarde me ligaram. Na quarta lá estava eu no set como Production Assistant. 

Production Assistant é um primeiro cargo para entrar na equipe de direção de filmes, seriados e comerciais.

Seria somente um dia de trabalho. No dia seguinte, estava eu arrumando a casa às 12:30 e a produtora me ligou perguntando se poderia trabalhar naquele dia e se poderia estar lá em 30 minutos. Claro que sim!

Tomei uma ducha em 5 minutos e peguei meu primeiro táxi em Vancouver. Cheguei pontualmente ás 13hs. E consegui meu segundo dia de trabalho com aquela equpe. Sinal de que fiz um bom trabalho no primeiro dia. Espero que renda outros no futuro.


Comprando pins e almoçando em Gastown

Agosto 15, 2009

Anunciaram que o Comitê das Olimpíadas de Inverno tinha feito um pin que não deveria ter sido feito. Explico, Taiwan não é considerado pelo Comitê Olímpico Internacional um país e compete sob a bandeira da China. Só que os organizadores dos Jogos de Inverno de Vancouver mandaram fazer um modelo de pin com a bandeira de Taiwan. Erro que não pode ser cometido de jeito nenhum. Tem pin até com a bandeira brasileira.

Então fomos tentar achar o tal pin. A Luiza virou colecionadora de pins. Fomos na The Bay, a loja oficial dos produtos dos Jogos. Não tinha. Depois fomos até Gastown. Também não encontramos.

Provavelmente para reparar o erro, recolheram todos. Enfim, tentamos e não encontramos.

No final das contas acabou sendo um passeio bem legal e acabamos almoçando lá em Gastown num restaurante chamado The Old Spaghetti Factory. 

Valeu bem apena. Um preço bem razoável porque não incluía somente o prato, no meu caso Lasanha e no caso da Luiza um Fetuccini Alfredo. Inclui também um pão italiano com duas pastinhas de entrada, uma salada ou sopa, um sorvete de pistache com chocolate e um café ou chá.

Como comida italiana em si, deixa a desejar para os restaurantes italianos no Brasil. Aliás, esse é o segundo restaurante italiano que comemos aqui e os do Brasil são bem melhor. Mas para um bom almoço, valeu bastante.