Ceia de Natal

Dezembro 28, 2009

Nosso primeiro Natal em Vancouver foi muito legal. Foi também a primeira vez que cozinhei um peru. E não é que ficou bom e não foi tão difícil assim!?

Recebemos alguns amigos em nosso pequeno apartamento para a celebração. Tinham canadenses, australianos, americanos e brasileiros. Não foi uma multidão, mas onze pessoas mais nós dois é praticamente a lotação aqui de casa. Sem contar que não temos cadeiras suficientes para mais que isso. Aliás, tivemos que comprar mais talheres e taças de vinho, só tínhamos seis de cada…

Minha maratona de cozinhar o peru começou na antevéspera, quando entrei em contato com minha mãe no Brasil para pegar a receita e quando comprei a ave. Na véspera, descongelei o bicho e o temperei com cebola, alho, orégano e vinho branco. Fiquei regando o peru e depois o deixei dormindo e absorvendo o tempero.

No dia seguinte, com medo de não ficar pronto pois todos dizem que demora a cozinhar, coloquei-o no forno 11 da manhã. Mais ou menos umas três horas depois desconfiei que estivesse pronto. Parti um pedaço, experimentei, até que estava gostoso. Mas tinha ficado pronto muito antes. 

Quando chegou mais perto, terminei de fazer o resto: arroz, batatas e farofa. E fiz pão de queijo também para apresentar aos gringos.

Aparentemente todos gostaram do resultado. E foi engraçado alguns desconfiados experimentando o pão de queijo e a farofa.

Nossa ceia

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Tá calor, tá calor…

Dezembro 19, 2009

Já diziam meus professores de física que tudo é uma questão de referencial. Sempre fui um aluno ok, para usar um termo bem canadenses, em física. No final das contas acabou sendo minha maior nota no vestibular da UFRJ (!?). Mas essa outra parte da minha vida não vem muito ao caso agora.

O que vem ao caso é a parte de que tudo é uma questão de referencial.

Por duas semanas a temperatura aqui em Vancouver ficou bem baixa, passou uma semana inteira abaixo de zero. Não chegou a ser os -47 ou -37 registrados em Edmonton e Calgary. Ficou entre -8 e 0.

O aquecimento do apartamento não estava dando conta. Aparentemente as janelas não estão muito bem vedadas e o gerente do prédio (síndico daqui) ficou falando que não tinha como resolver a vedação e bla bla bla. Então compramos um aquecedorzinho portátil que resolveu bem a situação.

Só que essa semana não precisamos mais usá-lo. A temperatura voltou para cima de zero. Tem ficado uns 6 ou 8 graus. E deu para sentir que realmente esquentou. Está quase calor! (por isso aquela história de referencial do início)

Tudo bem, quem mora no Brasil vai falar que esse cara é louco (calor!? vê se pode!). Mas realmente deu para sentir esquentar. O ar frio quase insuportável do lado de fora congelando o nariz sumiu. É, porque é fácil proteger o corpo usando casacos e luvas, a cabeça e as orelhas usando um gorro, mas o nariz, os olhos e as bochechas é complicado.

Não sou adepto de máscaras ninjas para proteger o nariz. Até porque o ar frio vai continuar entrando cortante pelas narinas. Protegeria as bochechas. Os olhos continuariam sofrendo.

Agora voltou a ficar fácil respirar e abrir os olhos contra o vento. Até o nariz que estava ficando destruído e precisando de hidratante está bem agora.

Ou seja, está ficando quente de novo! (sabe-se lá até quando)


O primeiro jogo de hóquei

Dezembro 15, 2009

Ontem fomos ao nosso primeiro jogo de hóquei em Vancouver. O jogo foi entre Vancouver Canucks e Los Angeles Kings. O time da casa ganhou por 3 a 1. O que significa que não sou tão pé frio assim, como algumas pessoas no Brasil têm falado sobre eu não estar lá quando o flamengo foi campeão.

O jogo foi bom, bem disputado e com poucas paradas, muita bola rolando.

É engraçado como a torcida aqui só tem um tipo de grito. Pode ser qualquer time de qualquer esporte, o único grito é Go (nome do time) Go! Não sai disso. Nós que estamos acostumados com a torcida do futebol achamos um pobreza de torcida.

Até porque a torcida não se manifesta tanto. Quando é gol todo mundo levanta e aplaude. Quando é quase gol todo mundo grita oh! (o correspondente em inglês para uh!). No mais, um ou outro grita go! ou bad! ou good!

Nem o tal Go Canucks Go é muito ouvido. Tiveram duas tentativas frustradas de ola.

Aí você entende porque eles ficam maravilhados quando vão ao Maracanã. E olha que o hóquei é o esporte que eles têm mais paixão por aqui.

GM Place - Canucks X Kings

GM Place - Canucks X Kings


Nove meses e meio em Vancouver, e trabalhando!

Dezembro 12, 2009

Estava conversando com um novo amigo canadense na quarta-feira e ele me perguntou quando cheguei aqui em Vancouver. Agora já são quase nove meses e meio. Chegamos no dia 28 de fevereiro. E ele me disse que meu inglês estava muito bom para o pouco tempo e também disse que estava muito bem em termos de trabalho para tão pouco tempo. Afinal, já estou trabalhando com TV/Cinema.

Discordo dele em termos do meu inglês. Cada vez parece que sei menos. Tenho muito que aprender ainda e não sou fluente como gostaria. Quando cheguei aqui fiz um mês intensivo de inglês. Depois acabei não fazendo mais porque o dinheiro não estava entrando e iria ser um gasto a mais. Agora não poderia fazer um curso nem que quisesse. Não tenho horário certo de trabalho. Cada dia é um horário e normalmente só sei quando vou trabalhar na véspera.

Quanto a ser cedo para já estar trabalhando na minha área, não sei se discordo ou concordo. Cada imigrante que chega aqui tem seu próprio caminho e seu tempo. Eu e a Luiza chegamos aqui determinados a trabalhar nas nossas áreas. Não queríamos vir para o Canadá e trabalhar num ‘subemprego’. 

Quando começamos a trabalhar nossos currículos no formato canadense na ISS, eles queriam que a gente fizesse primeiro um currículo para procurar um ‘subemprego’. Na experiência deles era importante primeiro conseguir um emprego qualquer, para entrar dinheiro e nos sustentarmos, e só depois procurar algo na nossa área.

Batemos muito o pé quanto a isso. No final das contas fizemos o currículo do jeito que eles queriam, mas também o fizemos do jeito que a gente queria. Ficamos cada um com dois currículos diferentes.

Para entrar algum dinheirinho, desde o início comecei a fazer figuração nos filmes e nos seriados. Não só para entrar um dinheirinho, mas também para ver como eles trabalhavam por aqui, para conhecer mais pessoas na área, para tentar fazer contatos.

O dinheiro foi saindo e saindo e, lá para maio/junho (terceiro/quarto mês), acabei me inscrevendo para uma vaga numa sorveteria. Por sorte ou azar, a experiência não durou mais do que uma semana e continuei só com as figurações.

A Luiza estava determinada a conseguir trabalhar nas Olimpíadas. Para ganhar experiência canadense foi se voluntariando em alguns eventos esportivos. Ela já saiu do Brasil com alguns contatos que nos apresentaram a outros contatos locais. Mas no final das contas, o trabalho que ela conseguiu em agosto na NBC, ela conseguiu pelos próprios esforços. Simplesmente se inscreveu no site e foi chamada para entrevistas nas quais passou. Até o fim de março ela está empregada.

Para tentar mais alguns contatos e experiência canadense, me voluntariei para trabalhar no Brazilian Film Festival. Conheci várias pessoas legais, a maioria brasileira. E claro, vi alguns filmes brasileiros, uns bons, outros nem tanto.

Fiquei batendo na porta (via email e fax) de todas as produções que estavam sendo filmadas aqui. Fui no Directors Guide of Canada e me informei de várias questões. Deixei meu nome lá em uma lista. E fui chamado para trabalhar em um curta metragem. Sem ganhar nada. Mas valeu a experiência.

Continuei batendo nas portas e consegui um trabalho num comercial. Era para ser somente um dia. Me chamaram para um segundo dia.

Depois voltei para as figurações e continuei batendo nas portas. Até que fui chamado para trabalhar em um filme para a televisão que estava sendo feito aqui. Trabalhei só dois dias. Mas foi o suficiente para o meu chefe me chamar de novo.

Só que agora para uma série nova canadense, chamada Shattered. Tenho trabalhado para eles constantemente desde o primeiro dia de filmagem, há um mês. Não trabalho todos os dias. Quando filmam nas ruas, quase sempre estou lá. Quando filmam em estúdio, eles só chamam membros do sindicato. Tem semanas que trabalho 5 dias, tem semana que trabalho 2 ou 3. 

Pode até parecer pouco. Mas para o começo da vida aqui, trabalhando na minha área de atuação, é pelo menos um bom começo. Até porque não cheguei a correr atrás dessa produção em si. Antes disso, fui chamado pelo meu chefe que tinha trabalhado no filme para a TV.

Quando a gente não estava trabalhando, se sentia aguniado por não estar fazendo nada, por não estar entrando dinheiro. Acho que todos que chegam em algum lugar novo e sem conhecer ninguém passam por isso. Por nossa sorte, o dinheiro que tínhamos economizado no Brasil foi o suficiente para nos sustentar até conseguirmos trabalhar.

Ajudou bastante conhecermos várias pessoas legais por aqui desde o início. Conhecemos brasileiros, canadenses, americanos e australianos que fizeram a nossa vida bem mais fácil. Nos ajudaram simplesmente pelo fato de serem nossos amigos e podermos sair de vez em quando para nos divertir com eles ou então nos dando dicas sobre as coisas aqui.

Ainda não sabemos de muita coisa. Já aprendemos muita coisa. Mas foram só nove meses e meio até agora. Estamos até agora conseguindo o que queríamos. Mas ainda não conseguimos tudo o que queremos. Continuamos na batalha.


Vancouver abaixo de zero

Dezembro 10, 2009

Pois é, a temperatura partiu para os negativos. A previsão de hoje é ficar entre -1 e -8 graus Celsius.

No fim de semana fomos para Whistler e deixamos Vancouver com a temperatura por volta dos 5 graus. Lá na montanha estava entre -6 e -14. Congelamos um pouco, claro, mas sabíamos que quando voltássemos não estaria tão frio aqui embaixo. Ledo engano.

Segunda e terça a temperatura ficou entre -2 e -6. Se você fica muito tempo dentro de um escritório ou dentro de casa e só passa pela rua rapidamente, isso não é problema. O sistema de aquecimento funciona bem. Mas se você trabalha o dia inteiro e uma boa parte da noite do lado de fora, como é meu caso, tem horas que congela.

Trabalhei nos últimos 3 dias usando duas ceroulas embaixo da calça e quatro camas de roupa embaixo do casaco. Ajudou um pouco que durante o dia estava sol. Acho que resisti bravamente à temperatura. Claro que hoje na minha folga vou tentar ficar dentro de casa o maior tempo possível. 

O segredo todo para enfrentar o frio é se vestir apropriadamente. Fiquei com frio em alguns momentos, mas não morri de frio.

A previsão do tempo diz que a partir de terça voltamos para o lado positivo do termômetro, entre 6 e 4 graus. Mas também há a possibilidade de nevar terça e quarta e a chuva voltando por aí.


Flamengo até em Vancouver

Dezembro 6, 2009

É só eu sair do Brasil que o Flamengo resolve ser campeão. E como aqui ninguém transmite o campeonato brasileiro, tive que ver o jogo final na internet. A imagem não era lá essas coisas, cheia de quadradinhos, mas valeu! Flamengo hexacampeão!

Ps: na verdade não estou nem em Vancouver, estou em Whistler.