Visitas em casa e a temperatura que não sobe

Julho 3, 2010

Estamos com visitas em casa. Minha mãe, irmã e o sobrinho de 3 anos estão aqui em casa passando as férias. Então voltamos a ser turistas em Vancouver.

Quando estavam no Brasil, perguntaram como estava a temperatura. Disse que não estava muito frio. As temperaturas estavam entre 15 e 20 graus e estávamos quase entrando no verão. Lembrando do verão do ano passado, falei para não trazerem muita roupa de frio.

Mas não é que a temperatura caiu!? Tem estado menos de 15 graus. Menos ontem, que fez um solzão. Só que hoje já amanheceu nublado de novo.

Ainda tive que mostrar para elas as fotos do Canadá Day do ano passado, primeiro de julho, quando estava um sol forte e saímos de casa de bermudas e camisetas.

Enfim, a previsão é de que quarta ou quinta a temperatura chegue a 27 graus. Será que chega?

Breno no áquario

 

Nossas visitas e a cidade atrás

 

Luiza e Breno brincando

 

Eu e o Breno em Deep Cove


O centro de Toronto no centro do noticiário

Junho 28, 2010

Os canadenses têm uma política de querer sempre ficar com a imagem de bonzinho e nunca deixar ninguém contrariado. Todas as decisões a serem tomadas demoram mais a serem tomadas por causa disso.

Nesse fim de semana aconteceram as reuniões do G8 e G20 em Toronto. Eles cercaram uma boa parte do centro da cidade, cercaram de verdade. Mas aí apareceram vários protestantes como em qualquer parte do mundo. E como sempre, apareceram uns vestidos de preto e mascarados.

A política adotada pela polícia foi simplesmente guardar as cercas e não deixar ninguém passar.

Aí no primeiro dia esses cabeças de bagre mascarados começaram a destruir tudo. Lojas do Starbucks, maquinas de tirar dinheiro, tudo contra as grandes corporações, afinal, são anarquistas. Só que como a polícia não reagia e os deixava fazer o que quisessem, carros da própria polícia entraram na dança. Aí você via carros da polícia no meio do centro de Toronto pegando fogo.

Claro que a segurança foi criticada. Assim como essas pessoas de preto.

No segundo dia a política mudou. Saíram prendendo todo mundo. Prenderam uns 600. Só que prenderam  desde quem estava protestando pacificamente até quem queria bagunça. E Deixaram a maioria presa por mais de oito horas sem comida ou água.

Ou seja, foram criticados novamente… E as críticas são merecidas nos dois dias. Não dá para ser 8 ou 80… Não dá para ser bonzinho e deixar todo mundo feliz o tempo inteiro…


Atacado pelas ruas de Vancouver

Junho 23, 2010

Estava andando em direção à ciclovia da English Bay para correr quando ouvi uns corvos gritando. Até aí nada demais. Esses bichos adoram gritar.

De repente sinto uma batida na minha cabeça e um negócio preto passando por cima de mim e indo embora. Pois é, fui atacado por um corvo. Bizarro. A gente sempre fica achando que são criaturas traiçoeiras e tal, mas nunca pensa que eles vão fazer alguma coisa.

Pelo menos ele não me bicou. Deu um rasante em mim e bateu na minha cabeça.

Assim que percebi o que estava acontecendo saí correndo pela rua até não ver ou ouvir mais os corvos. Parecia maluco. Mas também eu é que não ia ficar por ali para ver o que ia acontecer.

Uma hora depois, após correr na ciclovia, voltei pelo mesmo caminho. Quando cheguei perto da esquina em que fui atacado, os dois corvos apareceram do nada de novo. Ficaram primeiro em cima de uma árvore gritando. Quando um deles ameaçou voar na minha direção, não pensei duas vezes e saí correndo de novo.

Parei dois quarteirões depois e olhei para trás. Outra pessoa estava passando pela esquina dos corvos. E eles começaram a gritar de novo.

Bom, das duas uma. Ou os corvos são realmente criaturas estranhas saídas de um filme do Hitchcock ou tinha algum ninho do casal de corvos por ali.


Copa do Mundo

Junho 19, 2010

Até agora a Copa do Mundo passou em branco aqui pelo blog. Mas não é nem porque está passando em branco por Vancouver. 

De início achei que as pessoas por aqui não fossem ligar muito. Afinal, o futebol pode ser mundialmente amado, mas a América do Norte parece ser um dos lugares onde o esporte passa mais despercebido.

Vancouver vai ter um time a partir do ano que vem disputando a liga norte-americana. Não sei se isso ajudará a aumentar o número de praticantes ou de audiência. Mas eles estão reconstruindo o BC Place para isso. Estão apostando no time pelo menos.

Outro dia li uma reportagem no jornal, acho que era o The Province, sobre o futebol no Canadá. Eles se perguntavam porque não estavam na Copa do Mundo, onde só estiveram uma vez, em 86. E terminava a matéria dizendo que eles não têm que pensar em ser melhor do que EUA e México, que estariam alguns passos a frente deles. Dizia que os esforços deles têm que ser para ser melhor que Honduras ou Costa Rica. Assim, de repente eles estariam em 2014 no Brasil.

Eles estão fora da Copa, mas o barulho que a competição está causando aqui é muito maior do que pensava. Tudo bem, é o maior evento esportivo do planeta. 

A CBC tem transmitido todos os jogos ao vivo às 4:30, 7:00 e 11:30 da manhã. E ainda escolhe dois para reprisar mais tarde. A CTV, que não tem os direitos de transmissão, até mandou repórteres top de linha para a África do Sul. O Vancouver Sun tem duas páginas inteiras sobre futebol!!

A prefeitura autorizou os pubs a abrirem mais cedo para os jogos de 4:30. Só que bebidas alcoólicas  só podem ser vendidas após as 9hs, ou seja, quando acaba o segundo jogo. Não é perfeito, mas é o que eles podem fazer.

Ontem estava ajeitando minha bandeira do Brasil na varanda, estava com medo que ela voasse por causa do vento, e nos cinco minutos ou menos que estava lá, duas pessoas passaram pela rua e gritaram Brasil. Um parecia ser ‘canadense’ e o outro indiano.

De gritos durante os jogos, só ouvi duas vezes. A primeira foi quando a Inglaterra marcou um gol contra os EUA. O outro no jogo do México contra a França. Bom, agora sei que tenho vizinhos por perto que são ingleses e outros mexicanos.


Imigração – resposta a um comentário

Junho 18, 2010

Escrevi o post anterior e recebi o seguinte comentário:

“Oi, espero q vc nao esteja se tornando mais um daqueles imigrantes q nao querem q outros tenham a mesma chance q vc…”

Pode ser que eu não tenha deixado claro o que quis dizer.

Hoje em dia a população em Vancouver é quase meio a meio entre canadenses e imigrantes. Tem muitos asiáticos e isso você percebe só de sair na rua. Não tenho preconceito contra asiáticos ou qualquer outra nacionalidade.

Mas uma coisa que muito acontece aqui é que, principalmente os chineses, se fecham em suas comunidades e muitas vezes nem tentam aprender o inglês. Se você for andar em Richmond não precisa falar inglês, aliás, é melhor que fale mandarim.

Dito isso, já ouvi de alguns canadenses críticas a isso. Como podem pessoas vir para um país de língua inglesa/francesa e não falar a língua nativa? Alguns canadenses criticam muito isso. Já ouvi falarem que às vezes eles se sentem estrangeiros no próprio país.

O que quis dizer no post anterior é que se isso está acontecendo agora, imagina se a população aumentar de 33 milhões para 100 milhões só por meio de imigração. Aí é que os canadenses vão se sentir mais fora de seu próprio país. Aí pode acontecer de o sentimento xenofóbico crescer tanto até chegar às vias da violência.

Um outro fato é que os canadenses brigam muito por achar o que é ser canadense. Na abertura e encerramento das Olimpíadas de Inverno deu para sentir isso bem. Todos os discursos e poemas e músicas tentando sublinhar ou redescobrir o sentimento de ser canadense.

E aí fechei o post dizendo que talvez fosse mais interessante para os próprios canadenses uma política de incentivo a ter filhos.

Nada contra a imigração. Pelo contrário. Sou imigrante e estou feliz com a oportunidade de estar aqui. O que me preocupa é só o futuro e como a população nativa irá reagir quando forem só 20% dos habitantes do país. Acho que quando uma pessoa resolve ir morar em outro país tem sim que tentar entender o modo de vida local e assimilá-lo o máximo possível.


Imigração

Junho 14, 2010

Qual o país que mais tem mandado imigrantes para o Canadá? China? Índia? Não. Nenhum dos dois.

Têm saído reportagens nos jornais por aqui sobre imigração e eles dizem que o país que atualmente manda mais gente para cá é as Filipinas. Estranho, não? Mas aparentemente foi o que passou a acontecer depois que o sistema de imigração mudou para profissões em demanda.

Uma outra reportagem que saiu hoje no Vancouver Sun foi sobre um estudo de um canadense dizendo que para o Canadá se tornar uma grande potência e sair da sombra dos EUA precisa triplicar a população, passando dos atuais 33 milhões de habitantes para 100 milhões.

E como fazer isso? Botar imigrantes para dentro. Pelo menos é o que esse cara diz. Bom, o estudo é controverso por si só, porque apesar de o país oficialmente não estar em recessão, também não está sobrando emprego.

E no final das contas é muito bonito ter diversidade e tal, mas não seria legal também eles investirem em alguma campanha para quem já estar aqui ter filhos? Só botar tanta gente para dentro assim poderia gerar algum tipo de xenofobia. Mas enfim, foi só um estudo que foi divulgado.


De cabeça para baixo

Junho 8, 2010

Uma dúvida cruel me atormenta desde que cheguei ao Canadá. Porque as fechaduras são de cabeça para baixo?

As fechaduras são iguais as do Brasil, mas você introduz a chave de cabeça para baixo, com a parte cerrilhada para cima. Quase sempre eu me confundo. Devem ser trinta anos acostumado com um jeito e depois ter que desacostumar.

Não consigo achar uma razão para isso acontecer. Posso tentar achar algumas, mas não me convencem. Vai ver que como é hemisfério norte a direção muda, tal qual o lado que a água desce pelas privadas.

Outra coisa bem estranha que aconteceu semana passada por aqui foi que encontraram um corvo albino. Os corvos já são uns bichos meio estranhos, é difícil não pensar que eles estão programando algum ataque. Quando você passa por eles, a cabeça deles acompanha você. Eles ficam só te olhando.

E eles gritam tanto que não é possível que eles não falem uns com os outros. Tem que tomar cuidado, um dia eles dominam o mundo.

Agora, eles são todos pretos. Não tem variação. São pretos e ponto final. E de repente aparece um albino. Será que é algum sinal da natureza?


Nossa casa nova

Junho 5, 2010

Estamos no apartamento novo. Estamos gostando bastante. O apartamento é maior. Agora já podemos andar pelo quarto. Antes só cabia a cama e uma mesinha de cabeceira. Compramos mais uma e agora sobra espaço.

Na sala a mesma coisa. Mais ampla, tem um recuozinho para a mesa de jantar. E nossa varanda também é maior.

Mas acho que e o melhor de tudo são os vizinhos. Quanta diferença. Aqui eles cumprimentam a gente no elevador e no hall de entrada. No dia da mudança todos davam boas vindas. No outro prédio era meio estranho. Ninguém se falava muito. Mesmo tendo mais apartamentos era difícil achar alguém bem educado. Além de nossa vizinha ter sido uma senhora meio surda e sempre que alguém ia visitá-la ficava horas espancando a porta até ela abrir.  

A mudança em si é um pouco diferente do Brasil. Como quase tudo por aqui, é um pouco do faça você mesmo. Aluguei um caminhão. Isso mesmo, eu aluguei e eu dirigi um caminhão, pela primeira vez por sinal. E eu e a Luiza carregamos tudo para dentro do caminhão e depois tudo para dentro de nosso novo endereço. Como tudo de serviço, ajuda para mudança é meio caro e resolvemos economizar esse dinheiro para comprarmos o que precisássemos de móveis a mais.

Para quem conhece a Luiza, ela é baixinha, parece fraquinha, mas engana. É a maior formiguinha, não sei como aguenta tanto peso. O mais divertido foi carregar o colchão. Não sei porquê, mas ela começou a carregar junto comigo e de repente caiu na gargalhada e não parou mais. Precisamos de um intervalo para ela se recuperar.

Passamos terça e quarta arrumando a casa. Agora está quase tudo pronto. Falta pregar três quadros novos. Tem mais espaço, precisamos preenchê-lo. Ontem fomos na Ikea comprar uma mesinha de cabeceira, quadros e uma mesinha e duas cadeiras para a varanda. Está tudo lindo. Só falta o verão chegar.


Quase mudando

Maio 29, 2010

O dia da mudança de apartamentos está chegando. Segunda entregamos nosso atual e entramos no nosso novo. Então o fim de semana está sendo de muito trabalho.

Já desmontei o sofá cama da sala e a cama.  

Estamos encaixotando tudo. E haja caixa! Quando a gente acha que já está tudo acabando, a gente abre mais um armário e descobre mais coisas para encaixotar. Nunca acaba.

Também estamos fazendo um faxinão no apartamento. Já ouvimos falar de outras pessoas que tiveram que pagar uma taxa de limpeza porque não estava tudo limpo. Não queremos pagar mais nada. Então vai ficar tudo limpinho e brilhando no padrão brasileiro, muito melhor que o canadense por sinal. Corre o risco de oferecerem trabalho como faxineiros…


Onde comprar e não pagar nada

Maio 24, 2010

Estou lendo um livro canadense (Nikolski, escrito por Nicolas Dickner) e uma das personagens se muda para Montreal. Ela está sem dinheiro, arranja um lugarzinho para morar e um trabalho. E decide que quer um computador, mas não tem dinheiro para comprar um. 

A solução que ela encontra é procurar pelos lixos da cidade computadores e peças de computadores jogadas fora. Talvez para brasileiros isso possa parecer um pouco o fim da linha, coisa quase de mendigo fazer. Só que aqui não é bem assim. A quantidade de coisas que os canadenses jogam fora em bom estado é muito grande.

Provavelmente tem a ver com a cultura norte-americana do desperdício e da falta de espaço para armazenar coisas que você não está usando.

 Muita gente até faz garage sales e coloca na calçada várias coisas que não precisam mais a preço de banana. Outras pessoas simplesmente jogam no lixo.

A organização da cidade é um pouco diferente em relação ao Brasil. Todos os quarteirões possuem ruas de serviço onde é possível se estacionar e onde os lixos dos prédios são colocados. É por essas ruas que os caminhões de lixo passam e por onde caminhões param para fazer entregas de produtos nas lojas. Ou seja, não param no meio das verdadeiras ruas para atrapalhar o trânsito. 

Essas ruas de serviço são ruas pequenas e estreitas que ficam paralelas às ruas principais. Elas ficam na divisão entre um terreno e outro, onde teria um muro dividindo as propriedades.

Pois bem, são nessas ruas de serviço que ficam as caçambas de lixo e onde as pessoas jogam fora de tudo. Já vi muito sofá sendo jogado fora, alguns em boas condições, outros em péssimas. Vários colchões, mesas, mesinhas e todos os tipos de móveis. Já vi monitores velhos de computadores, aparelhos de som, televisões.

Os próprios canadenses fazem muito o que eles chamam de alley shopping (compras nos becos). E eles me disseram que isso costuma acontecer mais no final do mês, quando os contratos vencem e que as pessoas costumam se mudar. Dá para se encontrar muita coisa boa. Muita porcaria também. Já soube de gente que encontrou um bom sofá, gente que encontrou uma boa televisão de 29 polegadas funcionando.

A primeira coisa que vi em boas condições nesses becos foi uma cadeira que fica agora em nossa varanda. Ela só estava um pouquinho enferrujada em baixo.

De uma outra vez, alguém estava se mudando daqui do prédio e estava jogando fora uma estante de livros, sem os livros, claro. Estava saindo de casa e vi o cara carregando para o lixo. Olhei em volta, a estante estava direitinha, sem arranhões, sem cupim (será que tem cupim no Canadá?) e ainda por cima a cor da madeira era a mesma dos móveis da minha sala. Não tive dúvidas e peguei.

Agora que estamos nos mudando para um apartamento maior, bem que poderíamos encontrar uma cômoda, uma outra estante e uma poltrona…


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