U2 – Magnificent!

Outubro 29, 2009

Ontem fomos ao show do U2. Compramos os ingressos logo depois de chegarmos aqui, em abril. É muito tempo de antecedência… Mas enfim, queríamos ir de qualquer jeito.

E valeu todos os centavos, e bota muitos centavos nisso, não foram poucos não. 

A chegada no estádio foi bem tranquila. Entramos uns dez minutos antes da banda de abertura começar. Infelizmente, para mim pelo menos, a banda de abertura foi o Black Eyed Peas. E tomei um susto como o som estava ruim. Depois melhorou um pouco durante a apresentação deles. Com o U2 ficou melhor, mas acho que o som deixou um pouco a desejar.

O que não deixou a desejar foi o palco. Sensacional! O nome da turnê é 360 e isso porque o palco pretende não ter paredes. 

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Foto oficial do site deles, não fui eu quem tirou não

 

O telão foi outra coisa que surpreendeu. Ele subiu, desceu, esticou. E a qualidade da imagem era muito boa.

Eles tocaram muitas músicas novas, algumas boas, outras nem tanto se você levar em conta o repertório que eles têm. Mas tocaram One, Mysterious Ways, Where the streets have no name, With or without you, Walk on, Elevation, Sunday bloody Sunday e várias outras nas duas horas e dez minutos de show.

Eles são muito bons ao vivo.

Mas senti um pouco falta de energia do público. É engraçado como o público é muito diferente do que estamos acostumados no Brasil. Não estou falando de educação porque tinha uma família mal educada atrás da gente incomodando a todos, fumando e a mãe e a filha estavam bêbadas. Até levei um banho de cerveja.

O público aqui realmente é mais frio como falam. No início aplaudiram muito. Depois foram ficando calmos. Lá pelas tantas, antes do bis, acordaram e vibraram muito quando tocaram Where the streets have no name. E vibraram bastante no bis. Só que durante quase todo o show parecia que não estavam nem muito ali. Muitos assistiram ao show sentados (!?).


Política e esporte

Outubro 27, 2009

Quando você começa a pensar que está num país civilizado que respeita os indivíduos e tudo acontece com grande transparência, você descobre que político é igual em todo lugar.

O partido do primeiro ministro tem a seguinte logo:

conservative

 

Aí a loja oficial dos Jogos Olímpicos lança as roupas oficiais do evento:

hbc-hbc_RVBTF905_blackAlguém acha coincidência os símbolos serem tão parecidos? Óbvio que a versão oficial é de que é uma simples coincidência…


Débito

Outubro 26, 2009

A primeira vez que fiz compras com o cartão de débito, isso foi há sete meses atrás e só agora resolvi escrever sobre isso, o caixa do supermercado perguntou se queria dinheiro também. Não entendi muito bem e disse não para evitar confusões.

Quando recebemos o cartão de débito do banco estranhei o gerente não perguntar qual a bandeira preferia (visa, mastercard). No cartão também não tinha nem uma, nem outra bandeira. Tinha escrito Interact.

Foi aí que descobri que, diferentemente do Brasil, o cartão de débito aqui não possui bandeira. É como se a gente estivesse na máquina de tirar dinheiro. Não traz nenhum encargo para o comerciante. No Brasil o comerciante paga um percentual em cima de cada compra, algo perto de 5%, para a visa ou para a mastercard. Aqui não.

Por isso vira e mexe os caixas perguntam se a gente quer aproveitar e pegar um dinheiro junto com as compras. Os comerciantes brasileiros iriam adorar que lá fosse tal como aqui.


Vacinas do H1N1 prontas e liberadas

Outubro 22, 2009

As vacinas para H1N1 estão prontas. Já chegaram em British Columbia. As autoridades liberaram ontem. Mas liberaram num tempo recorde que faz pensar: será que testaram direito?

Essa semana teve a nona morte por H1N1 na província. Foi a primeira pessoa saudável a contrair a doença e morrer aqui em BC.

Aparentemente a segunda onda da doença também já começou. Por isso essa pressa toda. Ainda mais contando que o vizinho aqui embaixo já começou a vacinar. E mais ainda, os Jogos Olímpicos em fevereiro.

Semana que vem começa a vacinação. Primeiro pessoas com menos de 65 anos com problemas de saúde, grávidas, pessoas morando em comunidades remotas e isoladas e as comunidades indígenas (first nations).

Na semana do dia 2 de novembro a prioridade vai ser para crianças entre 6 meses e 5 anos, os médicos e demais trabalhadores do sistema de saúde, professores de escolas.

Da metade de novembro em diante todo mundo que quiser poderá ser vacinado.

As autoridades estão falando que a vacina é segura. Mas que talvez um em um milhão de vacinados possa ter complicações, possivelmente fatais. Será só isso? Será que os testes foram suficientes?

Qual a melhorar alternativa? Ser vacinados e torcer para não ter efeitos colaterais? Não ser vacinado e torcer para não contrair a doença?

Por hora não posso ser vacinado mesmo. Tenho que esperar até o meio do mês vem…


Colorido outono

Outubro 21, 2009

Normalmente o outono aparece sempre como uma estação de cores fracas. Afinal, é a estação da descoloração e da queda das folhas.

Só que na verdade a quantidade de cores que aparecem nas árvores são várias. É muito mais cor do que as árvores exibem no verão. Na primavera também fica tudo cheio de cor. Mas no verão é tudo verde.

No outono as cores começam verde, vão pelo vinho, vermelho, amarelo… sem falar que as chuvas aumentam e se aparece um solzinho, logo surge um arco íris.

Enfim, aí vão umas fotos que tirei aqui em West End:

 

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Estórias de cinema

Outubro 20, 2009

Por esses dias trabalhei como assistente de produção em um  filme. Sendo assistente de produção, o público em geral acaba sempre tendo mais contato com você nas ruas durante as gravações. E é impressionante como todo mundo é curioso e como o cinema e a TV exercem uma fascinação nas pessoas. 

Quase todos que passam pelo set de gravação param e perguntam o que está acontecendo. Na verdade a maioria já sabe que se trata de uma gravação e já pergunta logo o que estão filmando.

A segunda pergunta é: tem algum ator conhecido?

Alguns se satisfazem com essas duas respostas. Outros resolvem puxar assunto perguntando até que horas vai a gravação (pergunta que nunca pode ser respondida porque ninguém realmente sabe), quantos dias já foram gravados, quando vai para o cinema e/ou TV.

Tem ainda uns maluquinhos. Um garoto de uns 20 anos parou e começou a falar que vai fazer um filme, começou a contar a história, falou que ainda ia estrelar e que ainda ia ter como produtor o Joel Silver. Depois foi embora pedindo para eu avisar a Warner Brothers das idéias dele. 

Ou aparecem ainda uns malucos que tem que ficar de olho. Nunca se sabe se o cara está por ali só de curioso ou querendo afanar algum equipamento. Teve um dia que tinha um cara que passava de 2 em 2 minutos de bicicleta pelo set. O aviso pelo rádio era ficar de olho nele.


São Francisco? Boston? Nova Iorque? Não, é Vancouver!

Outubro 14, 2009

O cinema nada mais é do que uma brincadeira de faz de conta. Quem está indo assistir a um filme, simplesmente senta na cadeira e se desliga da vida por uma hora e meia. Quem está fazendo o filme brinca de inventar um mundo.

Um mundo que não existe. Ou que existe, mas em grande parte das vezes é recriado. Muitas vezes, o filme é feito numa cidade e supostamente se passa em outra. Ou simplesmente num lugar que não existe e só vai existir da tela.

Grande parte das produções que são rodadas em Vancouver se passam em outros lugares. Só são feitos aqui por questões mundanas materiais relativas a dinheiro e descontos e em impostos.

Estava revendo X-Men 3 outro dia e reconheci um prédio, era um dos prédios do Wall Centre. É um prédio todo espelhado de onde o Arcanjo sai voando. O mais engraçado é pensar que no primeiro mês aqui na cidade, estávamos morando no prédio ao lado. E na história o prédio fica em São Francisco.

Seguindo em frente no filme, aparece uma igreja, que ficaria em Boston. Mas na verdade é só atravessar a Burrard Street para chegar de São Francisco a Boston.

O primeiro episódio da segunda temporada de Fringe também tinha cenas assim. Um dos bandidos corria por ruas de Nova Iorque. Só que na verdade eram ruas de Gastown.  

Além da (re)criação de lugares, há também a (re)criação dos personagens. Personagens que na maioria das vezes só existem no papel e que ganham vida assim que o diretor grita Ação. Tem mais brincar de faz de conta do que isso?

O grito de ação é na verdade o comando para começar a brincar. Aqui já brinquei de figurante algumas vezes. Já fui um camponês correndo pelo campo de batalha, um executivo tentando reencontrar a fé na igreja durante uma invasão alienígena, um traficante de drogas, um alienígena numa cerimônia de enterro, um cozinheiro numa base americana no Iraque ou simplesmente um indivíduo fazendo compras ou caminhando pelas ruas.


O frio chegou cedo e com choques

Outubro 13, 2009

O frio chegou mais cedo do que o normal. Mas, segundo uma matéria no jornal de hoje, isso não significa um inverno mais rigoroso. Ufa! É só uma combinação de efeitos climáticos. Pelo menos em Vancouver.

No resto do país as temperaturas também estão bem baixas e já tem nevado bastante.

O problema todo, aqui em Vancouver, foi que a temperatura caiu de repente. Em uma semana estava por volta dos 20 graus e na seguinte foi pros 10 graus. 

Enquanto no verão estavam sendo batidos recordes de temperaturas altas, agora estão sendo batido recordes de temperaturas baixas. O dia de ontem foi o mais frio da história. Em algumas regiões aqui perto, tipo Whistler, as temperaturas ficaram negativas. Aqui estava por volta dos 10 graus.

E o frio chegando, a temporada de choques se inicia. A combinação de temperatura baixa com ar seco provocam efeitos de estática que vira e mexe a gente encosta em algum lugar e toma um choque. Ou simplesmente encosta em outra pessoa e toma um choque.


Inglês com sotaque francês

Outubro 11, 2009

Um dos meus objetivos é melhor bastante meu inglês e a longo prazo tentar eliminar o máximo possível de sotaque. É claro que não é uma coisa simples nem fácil. Mas não quero ser que nem aquelas pessoas que vivem 20 anos num país de língua inglesa e continuam com um sotaque carregado.

O que me parece é que algumas pessoas nem ligam muito para isso. Sei lá, acho que num primeiro momento o importante é se comunicar e se fazer entender. O que às vezes nem acontece. Tem uma cidade aqui ao lado, Richmond, onde fica o aeroporto, que tem tanto chinês que eles acabam nem falando inglês. Na verdade muitos nem sabem falar inglês.

Em Richmond tem um dos estádios para os Jogos Olímpicos, que tem a pista para corridas de patinação no gelo. As regras canadenses dizem que tudo tem que ser em inglês e francês, apesar de quase ninguém por aqui falar francês. O prefeito de Richmond foi perguntado porque não colocou o letreiro do estádio também em francês. Ele respondeu que não gastaria dinheiro com francês. Se fosse para ser bilíngue colocaria em mandarim.

Mas voltando ao assunto inicial, não quero continuar por aqui por anos e anos e continuar falando inglês como imigrante. Por mais que seja duro e trabalhoso quero poder falar o mais próximo possível do que os canadenses falam. Quero se possível me confundir com eles, mesmo que a aparência diga que não sou daqui. 

Algumas pessoas já tinham me falado que confundiam o sotaque de brasileiros com o sotaque de franceses falando inglês. Não tinha levado muito a sério. Já ouvi os franceses falando inglês e achava muito diferente. Não achava que a gente tivesse aquele sotaque.

Só que vira e mexe tenho sido supreendido com as pessoas me perguntado se sou francês. Quando falo que sou do Brasil eles se surpreendem.


Como estar no Iraque sem sair de Vancouver

Outubro 8, 2009

Por dois dias estive numa base militar americana no Iraque sem sair de Vancouver. Quer dizer, não era bem em Vancouver, era numa cidade a quase 50 km do centro de Vancouver. 

Era o set do filme The A Team, uma série dos anos 80 que se chamava Esquadrão Classe A no Brasil. Uma superprodução. Os caras têm muito dinheiro.

A base americana que construíram tinha o tamanho de uns quatro ou cinco campos de futebol. No primeiro dia eram 400 figurantes, a maioria vestido de soldados americanos. No segundo dia esse número caiu pela metade.

E para esses figurantes todos, o início do primeiro dia incluía uma passagem no barbeiro. Tinham uns seis cabelereiros para uniformizar as cebeças de todos para cortes militares. Depois passagem pela maquiagem onde todos ganharam uma camada de bronzeado.

As cenas incluíam também tomadas aéreas de helicóptero e outros helicópteros voando em volta e/ou posando. A quantidade de terra que eles levantam… 

Depois de um tempo, você olha em volta e realmente acredita que está no Iraque. Os figurantes começam a encarnar os soldados, quase todos armados e ficam rindo ou olhando de cara feia. Tinha também uns soldados iraquianos.

A única coisa que denunciava que estamos no outono em Vancouver era a falta de calor. No início e no fim do dia a temperatura dá uma boa caída. Lá pelo meio dos dois dias, que foram ensolarados, ficou quente.

Os atores conhecidos que vi foram Liam Neeson, Jessica Biel e Bradley Cooper. Era engraçado que esse último tinha que ficar boa parte do tempo sem camisa. E assim que a cena terminava, alguém aparecia correndo com um casaco.

Foi divertido. Nunca imaginei que poderia dizer que passei dois dias divertidos numa base americana no Iraque.